A indústria madeireira tem sido frequentemente vista pela opinião pública como a vilã do desmatamento na Amazônia. Para pesquisadores da área de marketing, no entanto, essa imagem negativa pode ser modificada, evocando a produção responsável e o manejo sustentável, capaz de gerar benefícios socioeconômicos para a população da região e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação de florestas nativas.
Formadas pelo curso de Administração com habilitação em Marketing do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), Luciana Romeu, Jéssica Monteiro e Zhandra Pires pensavam nisso quando fizeram uma pesquisa sobre a utilização do marketing como ferramenta de divulgação de madeireiras sustentáveis, explorando o caso da União das Entidades Florestais do Estado do Pará (Uniflor), no período de 2004 a 2008.
A entidade foi escolhida por congregar dez sindicatos e aproximadamente 300 madeireiras em todo o estado, além de ser um canal reconhecido de mediação dos interesses do setor junto à sociedade e órgãos públicos.
A pesquisa buscou mostrar para a população que o setor madeireiro pode contribuir para uma sociedade mais sustentável, se realizar projetos de manejo e reflorestamento. “O primeiro consiste na administração da terra. Trata-se do estudo da árvore, que tem como princípio manter o equilíbrio do ecossistema. Já no reflorestamento ocorre a recuperação de áreas desmatadas”, explica Luciana Romeu.
Para que sejam realizadas as atividades deve haver, no entanto, investimento. “Essas duas técnicas necessitam de custo muito alto. É por isso que muitos madeireiros não as utilizam. Muitos deles preferem comprar outras terras para poder desmatá-las porque sai mais barato do que investir em reflorestamento e manejo”, admite Romeu. Mas, segundo ela, há o lado positivo. “Com as técnicas implantadas corretamente há retorno positivo para o madeireiro, só que muitos deles não têm condições ou iniciativa de iniciá-las”, acrescenta.
Durante o trabalho, orientado pelo professor Júlio César dos Santos Patrício, as pesquisadoras fizeram um resumo histórico sobre o tema e constataram que a ocupação dos madeireiros começou, desde o início, de forma equivocada. “Não houve desenvolvimento social. Hoje, o quadro já está mudando. O setor florestal se desenvolve mais, com isso há geração de emprego e renda, além do crescimento do PIB do Estado. Além disso, os madeireiros já buscam o profissionalismo e a união do setor”, frisa Luciana Romeu.
As administradoras afirmam que o foco principal da pesquisa era atingir a sociedade para vender uma ideia. “Isso é o marketing social. Conscientizar a população e os madeireiros.” Elas explicam que, para que haja o reconhecimento do setor madeireiro, devem ser tomadas algumas medidas importantes. “Basta que os empresários se conscientizem perante as técnicas de exploração nacional e transmitam à população as suas ações, mostrando o lado bom, para que a sociedade comece a conhecer e buscar mais informações sobre o assunto.”
As profissionais não deixam de destacar que a falta de um planejamento ambiental acarreta em prejuízos perceptíveis à população. “Hoje, vemos o desequilíbrio do meio-ambiente, que nada mais é do que a consequência de uma má gestão ambiental. É uma cadeia. Com o desequilíbrio, algumas madeireiras acabam falindo. Com isso, há o desemprego, que prejudica toda a sociedade e a economia, já que diminui o PIB do Estado”, finalizam as egressas.