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Projeto Rosas Aprisionadas será representante brasileiro em fórum na França



Amanda Naif em apresentação durante a seletiva do LabCitoyen.

O interesse em estudar e dialogar sobre temas relacionados ao direito das mulheres levou a universitária Amanda Naif a integrar o projeto Rosas Aprisionadas, desenvolvido por alunos do curso de Direito do Cesupa. O que Amanda não esperava é que, pouco mais de um ano após o início do projeto, esse interesse a transformasse em representante do Brasil na edição 2019 do LabCitoyen, evento realizado anualmente em Paris para debater temas de direitos humanos.

Nascido do convite à reflexão feito pela professora Juliana Freitas durante uma aula sobre dignidade da pessoa humana, o projeto Rosas Aprisionadas surgiu, inicialmente, com a proposta de arrecadar materiais de higiene pessoal para atender as necessidades mínimas de mulheres sob custódia do Sistema Penitenciário do Estado do Pará. Mais de 600 kits de higiene foram entregues para as encarceradas no Centro de Recuperação Feminino. 

Com a aceitação do projeto e o engajamento dos 11 alunos que dele fazem parte, o Rosas Aprisionadas tem ampliado seu foco de atuação contando também com atividades de revisão dos processos de presas provisórias, oferta de cursos de qualificação profissionais e desenvolvimento de estudos dentro de um grupo de pesquisas. Foi narrando essa trajetória que Amanda Naif apresentou o projeto na seletiva brasileira do LabCitoyen.

“Quando verifiquei que a temática do LabCitoyen este ano é “Direito das Mulheres “, procurei a professora Juliana, propus a ideia de participarmos e ela aceitou na hora. Falamos sobre o Rosas Aprisionadas porque se ajustava com a proposta do evento e é um projeto que precisa ser difundido, pois envolve uma problemática a ser discutida nacional e mundialmente”, conta Amanda.

A seleção – Antes de ser escolhida como representante do Brasil no LabCitoyen, Amanda se inscreveu em uma chamada aberta do Instituto Francês do Brasil, do Consulado da França no Rio de Janeiro e da Aliança Francesa no Rio de Janeiro. A primeira etapa da seleção consistiu em análise curricular, apresentação de certificado de proficiência na Língua Francesa, descrição do projeto e envio de um vídeo respondendo à pergunta “Por que sou pessoalmente interessada pelo direito das mulheres? ”. Somente sete candidatas foram selecionadas para a fase seguinte em que precisavam apresentar o projeto para um júri composto por mulheres francesas e brasileiras, no Consulado Francês do Rio de Janeiro. 

Com o resultado a estudante irá embarcar para Paris, onde ficará do dia 30 de junho ao dia 7 de julho, ao lado de outros 49 jovens, participando de uma série de conferências, debates, mesas redondas e ateliês para discutir questões como igualdade, discriminação e violência contra as mulheres, passando por estruturas de poder e de dominação presentes na sociedade.

“Às vezes eu fico sem acreditar que realmente aconteceu. A responsabilidade é grande, mas eu estou bem feliz e mais feliz ainda em poder falar do Rosas em um fórum internacional sobre Direitos Humanos. Acredito que grandes diferenças são feitas em conjunto, então lá também poderei ouvir as percepções de outros jovens engajados, participar de discussões sobre a temática e conhecer as demais legislações”, revela Amanda.

Juliana Freitas, que também atua como coordenadora do Rosas Aprisionadas, acredita que não haveria oportunidade melhor para apresentar o projeto fora dos limites do Cesupa. “Tenho o sentimento de que precisamos fazer muito e mais, para além da sala de aula, em prol dos diversos grupos vulneráveis que compõem a nossa sociedade. Sentimento de felicidade e gratidão, mas de muita responsabilidade por perceber a dimensão e a importância do nosso projeto na vida dessas mulheres”, observa a professora.

Texto: Lali Mareco | Foto: Arquivo pessoal
23 de abril de 2019