Equipe interdisciplinar do Cesupa desenvolve sistema de irrigação inteligente
A equipe, composta por alunos de Arquitetura e Urbanismo, Ciência da Computação e Engenharia de Computação, criaram o projeto durante o Amazon Hacking 2026. Foto: Suzane Lima.
Diante dos desafios enfrentados pelos agricultores familiares da Amazônia, marcados pela dependência das chuvas e pelos altos custos dos sistemas tradicionais de irrigação, um grupo de estudantes do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) desenvolveu o Kitembu - Sistema Inteligente de Irrigação para Agricultura Familiar Amazônica. A solução tecnológica e social foi concebida durante o Amazon Hacking 2026.
A equipe é composta por alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Ciência da Computação e Engenharia de Computação. Os estudantes projetaram a estrutura do sistema offline e autônomo, estruturaram o modelo de negócio sustentável e desenvolveram a comunicação da tecnologia junto à comunidade da Vila Jutaiteua, em Moju (PA).
Sobre o projeto - O Kitembu foi concebido para atender três demandas urgentes identificadas na região: a perda de safras, os altos valores dos sistemas de irrigação convencionais e a precariedade de infraestrutura, com internet e energia instáveis que inviabilizam tecnologias importadas.
Para superar esses obstáculos, os estudantes criaram o Smart IrrigaPote, um dispositivo de irrigação que combina a funcionalidade da cerâmica com a inteligência da Internet das Coisas (IoT). O sistema opera por gravidade e osmose do barro, dispensando a necessidade de energia elétrica contínua e funcionando completamente offline. Cada pote, confeccionado por artesãos locais, tem custo entre R$ 35 e R$ 40 e durabilidade superior a dois anos, representando uma redução significativa nos custos de implementação em comparação com as soluções atualmente disponíveis.
Além da irrigação propriamente dita, o Kitembu incorpora um sistema de coleta de dados e gestão que devolve ao produtor a previsibilidade perdida. O monitoramento autônomo permite que o agricultor acompanhe as condições da lavoura mesmo em períodos de seca severa, preparando a comunidade para enfrentar os ciclos climáticos cada vez mais extremos. De acordo com Heitor Parente, líder da equipe, os alunos pretendem expandir o projeto para 200 comunidades no Pará e consolidar uma plataforma regional de manejo com dados abertos.
Premiação - O projeto alcançou reconhecimento ao conquistar o terceiro lugar no Amazon Hacking 2026. “A premiação foi muito importante porque nos deu visibilidade e mostrou o impacto dessa proposta, construída ao longo de meses de trabalho. E, principalmente, destacou a relevância da nossa solução para a comunidade. Isso prova que desenvolvemos uma tecnologia social que utiliza a computação como ferramenta de previsibilidade, escalabilidade e rastreabilidade, sem promover exclusão digital, uma vez que nosso produto independe de internet para agregar valor por onde vier passar”, destaca Heitor.
O estudante ressalta ainda o orgulho de contribuir para que a região esteja preparada para os períodos de seca, que tendem a se tornar mais frequentes com as mudanças climáticas. “Com muita unidade, amor e compromisso, conseguimos unir habilidades e talentos em torno de um projeto voltado para a comunidade - e que seguirá mantendo essa essência. Essa conquista é uma oportunidade única de trabalho concluído, sensação de dever cumprido e impulso para novas inscrições em editais, com o objetivo de servir e impactar ainda mais pessoas”, conclui.
Sobre o Amazon Hacking - É um programa de inovação do Cesupa que une tecnologia, sustentabilidade e impacto social na Amazônia. Os universitários elaboram projetos de impacto para resolução de problemas a partir dos desafios pontuados pelos próprios atores locais, desenvolvendo autonomia e consciência cidadã.