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Estudantes desenvolvem projeto que transforma resíduos do açaí e mandioca em pavimento ecológico

15 de Julho de 2026
Erica Marques
Estudantes desenvolvem projeto que transforma resíduos do açaí e mandioca em pavimento ecológico

O projeto conquistou o segundo lugar no Amazon Hacking 2026. Foto: Suzane Lima.

Alunos de diferentes cursos do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) desenvolveram uma solução tecnológica que converte caroços de açaí e cascas de mandioca em blocos de bio-pavimento drenante, denominado de Umaní - Pavimento Ecológico. A iniciativa foi concebida no âmbito do Amazon Hacking 2026, programa institucional que articula empresas, comunidades locais, saberes tradicionais e produção científico-tecnológica para a elaboração de projetos de impacto voltados à bioeconomia amazônica.

Na edição deste ano, cujo tema foi Agricultura Familiar Regenerativa com foco na Vila Jutaiteua, comunidade situada em Moju (PA), a equipe dedicou-se a responder a uma das demandas recorrentes da área: a precariedade das vias de terra, que se tornam intransitáveis no período chuvoso e excessivamente empoeiradas na estação seca, comprometendo o escoamento da produção agrícola e a qualidade de vida das comunidades.

O projeto foi conduzido pela estudante Ana Souto, de Ciência da Computação, com participação dos discentes: Agatha Luzia da Costa Machado, de Arquitetura e Urbanismo; Ana Beatriz Carvalho Freire Nunes, Carlos Sandro da Costa Gonçalves e Carolline Mello da Silva, de Ciência da Computação; Gabriel Gonçalves da Silva, de Engenharia de Computação; e Camila de Miranda Launé, de Publicidade e Propaganda. A composição multidisciplinar da equipe permitiu uma abordagem integrada e articulação entre diferentes campos do saber.

Premição - O Umaní conquistou o segundo lugar no Amazon Hacking 2026, reconhecimento que atesta tanto a excelência técnica da proposta quanto sua adesão aos princípios do desenvolvimento sustentável. A avaliação foi conduzida por banca composta por professores, mentores e, sobretudo, pelos próprios moradores da Vila Jutaí, o que confere legitimidade social à iniciativa. “Conquistar esse prêmio é a prova de que estamos no caminho certo ao integrar tecnologia e território. A essência do Umaní vai além da pavimentação, pois trata-se de promover autonomia para a Vila Jutaiteua. Ao transformar o que era passivo ambiental em um bio-pavimento acessível, entregamos uma ferramenta que permite à comunidade construir seu próprio desenvolvimento de forma sustentável”, destaca Ana Souto.

Assim, o Umaní se consolida como uma solução sistêmica, que gera impactos positivos em três eixos fundamentais: renda, com a injeção de capital direto nas famílias; mobilidade, garantindo vias transitáveis o ano todo; e saúde, reduzindo doenças respiratórias e a proliferação de vetores. E concretiza que a inovação mais eficaz para a Amazônia é aquela que nasce da própria realidade, valorizando recursos locais e unindo diferentes áreas do conhecimento em prol de um futuro mais justo e sustentável.

Sobre o Amazon Hacking - É um programa de inovação do Cesupa que une tecnologia, sustentabilidade e impacto social na Amazônia. Os universitários elaboram projetos de impacto para resolução de problemas a partir dos desafios pontuados pelos próprios atores locais, desenvolvendo autonomia e consciência cidadã.