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Cesupa é parceiro da FIOCRUZ em estudo sobre a eficácia da BCG contra a Covid-19


7 de maio de 2021


O Cesupa é colaborador em um Ensaio Clínico, que objetiva avaliar se a vacina BCG pode atuar contra a Covid-19. A pesquisa é realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz - Rio de Janeiro), financiada pelo programa INOVA e coordenada pela pesquisadora Simone Ladeia Andrade. O estudo está sendo realizado em Juiz de Fora (MG), São José do Rio Preto (SP), Manaus (AM) e, em Belém, o polo do Ensaio será o Centro de Especialidades Médicas do Cesupa (CEMEC) com suporte do Laboratório de Análises Clínicas (LAC), também do Cesupa.

O coordenador local da pesquisa e professor do curso de Medicina, Haroldo de Matos, explica porque Belém foi escolhida para fazer parte do estudo e a relevância para o Cesupa, em participar da pesquisa. “A inclusão de Belém e Manaus é de natureza epidemiológica, devido à elevada circulação do Sars-CoV 2 nas capitais amazônicas. E para o Cesupa há uma dupla importância em ser parceiro de uma instituição centenária e conceituada como a Fiocruz e de apoiar o Cemec a se projetar com a sua vocação natural, de ser um centro de pesquisa clínica”.

A BCG é uma vacina antiga e segura e, no Brasil, ela é aplicada no bebê recém-nascido, deixando uma cicatriz no braço direito, que provoca um estímulo à imunidade e protege contra formas graves da tuberculose, hanseníase e doenças respiratórias da infância. Alguns estudos preliminares também apontam que, nos países com alta cobertura da vacina BCG na infância, houve uma redução da taxa de mortalidade da Covid-19.

“No estudo de soroprevalência do Sars-CoV 2 realizado pela Sesma (Secretaria Municipal de Saúde) em 2020, com participação do Cesupa, pudemos observar que, nas crianças vacinadas com BCG houve um número significativamente menor de sintomáticas, quando comparadas com as não vacinadas. Os resultados apontam provavelmente para um efeito protetor do BCG quanto ao quadro sintomático de Covid e, é isso que vamos avaliar com o Ensaio”, analisou o professor.

Para participar da pesquisa, a coordenação local tem buscado voluntários com idade entre 18 e 45 anos, que nunca tiveram Covid-19 e ainda não receberam a vacina contra a doença e nem estejam prestes a ser vacinados. “Aqueles que aceitarem participar, farão um teste rápido para confirmar que estão negativos e serão sorteados de modo que metade dos voluntários receba a vacina BCG e a outra metade receba um placebo (solução inócua). É importante dizer que a participação na pesquisa não impedirá que os voluntários sejam imunizados contra a Covid, caso sejam chamados”, frisou o professor Haroldo.

Outros critérios para ser um voluntário são: não estar doente no momento por nenhuma causa; não apresentar alergias graves; não ter tido tuberculose e nem contato com quem teve; não apresentar doença crônica descompensada (hipertensão grave, diabetes descompensada, cardiopatia, nefropatia, doenças autoimunes, entre outras); não estar gestante e nem amamentando.

Os dois grupos serão acompanhados por seis meses, com contatos bimestrais para entrevistas e exames e, ao final do período, os pesquisadores farão a comparação entre os participantes que receberam BCG ou placebo, considerando a ocorrência de infecção por Sars-CoV2 e a evolução clínica daqueles que adoecerem por Covid-19.

Para ser um voluntário do Ensaio Clínico, os interessados devem procurar o CEMEC (Campus João Paulo do Valle Mendes, na Avenida Almirante Barroso, nº3775), de terça a quinta-feira, das 8h às 12h. Em caso de dúvidas ou para mais informações, envie um e-mail para haroldo.matos@prof.cesupa.br.


Texto: Gisele Nogami com revisão de Laura Quaresma

07 de maio de 2021