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Projeto de extensão “Nutrindo Boas Práticas” oferece treinamentos gratuitos para manipuladores de alimentos


8 de junho de 2021


Todos nós, em algum momento da vida, já vivemos a experiência de consumir um alimento que causou mal-estar, náuseas, dores e, em alguns casos mais graves, até a internação hospitalar. Esse conjunto de sintomas caracteriza as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), causadas pela ingestão de alimentos ou líquidos contaminados por bactérias, vírus e substâncias químicas. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as DTAs, a cada ano, causam o adoecimento de uma a cada 10 pessoas. Já o Ministério da Saúde (MS) aponta que a maioria das ocorrências deste tipo de infecção acontece nas residências, e 16% ocorre em locais como padarias e lanchonetes.


Em estabelecimentos comerciais, a atividade desempenhada pelo manipulador de alimentos é a principal responsável pela contaminação dos produtos e este profissional desempenha importante papel na garantia da segurança e qualidade dos alimentos, desde o recebimento, passando pela preparação, até a entrega para o consumo. Para regular o cumprimento de boas práticas na manipulação de alimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conta com a RDC 216, de 2004, que visa o aperfeiçoamento constante das ações de controle sanitário na área de alimentos, com fins de proteger a saúde da população.


Chefe de cozinha da doceria Bolo de Chuva, Rodrigo Andrade compreende que a adoção de boas práticas nas etapas de produção de produtos como tortas e salgados, reduz o risco de contaminação, e buscou auxílio do curso de Nutrição do Cesupa para oferecer treinamento à sua equipe, composta por 15 profissionais que atuam em várias atividades do estabelecimento. “Fizemos questão de reunir os colaboradores que trabalham em todas as áreas da cozinha, as atendentes, a equipe de limpeza e até o nosso motorista que realiza as entregas, para reciclarmos nossos conhecimentos e promovermos o melhoramento da manipulação de alimento”, reforçou.


Atendente há seis anos na doceria, Marisa Coelho aprovou o treinamento realizado por alunos do curso de Nutrição. “Antes, os cursos eram mais voltados para quem trabalha diretamente na cozinha e agora, todos nós pudemos participar. Tínhamos algumas dúvidas, mas eles explicaram de um jeito divertido e fácil e, agora, vamos nos policiar para prestar um atendimento ainda melhor”, frisou. 


Devidamente certificada, Marisa quer colocar os conhecimentos adquiridos em prática, não apenas no trabalho desempenhado na Bolo de Chuva, mas também, na cozinha de sua própria casa. “Aprendemos o modo de higienizar as mãos, os alimentos e o jeito correto de descongelar alimentos. Pequenos detalhes que a gente pode fazer em todos lugares. Por exemplo, não vou mais descongelar a carne embaixo da torneira, tenho que fazer isso dentro da geladeira na noite anterior”, ensinou a atendente.


Demanda do mercado - A RDC 216 da Anvisa estabelece critérios estruturais, físicos, de boas práticas e higiene. A norma prevê também, que, pelo menos uma vez ao ano, os manipuladores de alimentos de estabelecimentos de qualquer porte passem por cursos de capacitação que abordem temas como: contaminantes alimentares, DTAs, manipulação higiênica dos alimentos e boas práticas de manipulação.


Foi a demanda do mercado, com a busca das empresas por este tipo de treinamento, que impulsionou a elaboração do projeto de extensão “Nutrindo boas práticas”, com alunos do 5º semestre do Cesupa, que já cursaram a disciplina higiene e controle de qualidade dos alimentos. “Acreditamos que os projetos de extensão colaboram na formação dos estudantes, por ser uma oportunidade de terem contato com o mercado e colocarem em prática o que aprendem na teoria, além desenvolverem competências que são necessárias para qualquer tipo de emprego que eles podem ter no futuro”, explicou a coordenadora do curso, Daniela Gaspar.


A estudante do 5º semestre e uma das voluntárias do projeto, Lavínia Souza, pretende se especializar na área de gestão e encontrou no “Nutrindo Boas Práticas”, uma porta para ingressar no mercado de trabalho. “Com a pandemia, muitas empresas deixaram de oferecer vagas de estágio e nessa condição, estudantes como nós, teríamos poucas chances de conhecer uma cozinha industrial e participar do dia a dia dos colaboradores, por exemplo, e o projeto nos dá essa possibilidade. E, quanto mais a gente explica sobre um assunto, como o da higiene dos alimentos, mais a gente aprende”, disse.


Todo o conteúdo e a abordagem da palestra é pensada pelos acadêmicos, com a supervisão da coordenadora, especialmente voltado para a mudança comportamental dos manipuladores de alimentos. “As mudanças estruturais dependem sempre dos empresários. Mas a mudança no comportamento pode mudar com a conscientização destes profissionais. É papel do nutricionista também, trabalhar na gestão de equipes que são formadas por pessoas, e sem elas (as pessoas), nenhum trabalho pode dar certo”, ponderou a professora Daniela.


Os próximos treinamentos devem ocorrer em uma empresa de venda de comida de rua e para os manipuladores que trabalham nos restaurantes da Ilha do Combu. Para mais informações sobre as atividades do “Nutrindo Boas Práticas”, envie um e-mail para a coordenação do curso de Nutrição: daniela.gaspar@prof.cesupa.br.


Texto: Gisele Nogami com revisão de Laura Quaresma

08 de junho de 2021