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Acadêmicos de Fisioterapia desenvolvem cadeira de PVC para ajudar pacientes em UTI


20 de setembro de 2021


Os alunos e a professora Gabriela Martins com o DASBEL produzido durante o estágio em Fisioterapia Hospitalar. Foto: Arquivo pessoal

A rotina de um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) requer cuidados multidisciplinares, com o intuito de reduzir possíveis riscos ao seu quadro de saúde. No Hospital Naval de Belém, os atendimentos receberam o reforço de um equipamento desenvolvido por um grupo de alunos do 8º semestre de Fisioterapia do Cesupa: uma cadeira produzida com tubos de PVC, que ajuda a pessoa acamada a sentar-se à beira do leito para a realização de exercícios motores e respiratórios.

Conhecido como DASBEL (Dispositivo Auxiliar de Sedestação Beira Leito), o equipamento é feito de material leve e resistente, com estrutura de cadeira sem a parte do assento, e serve de apoio ao paciente que não consegue sustentar o tronco. Sem o equipamento, seriam necessários dois ou mais profissionais para auxiliar o paciente na realização das terapias e das condutas hospitalares, com o intuito de reduzir os riscos de complicação, em função de longos períodos na mesma posição.

A ideia para a cadeira surgiu em meio a uma atividade proposta pela professora Gabriela Martins, durante o estágio obrigatório em Fisioterapia Hospitalar, que desafiava os alunos a produzirem um equipamento de baixo custo para auxiliar o serviço prestado pelo hospital. “Como parte da avaliação didática do estágio, eles desenvolvem um PJBL (Aprendizagem baseada em projetos), de uma tecnologia que possa vir a agregar no cenário hospitalar que eles estão inseridos. A partir das experiências e dificuldades que encontraram para mobilizar um paciente de UTI, e da percepção do quanto isso exigia fisicamente deles para manterem o paciente confortável e seguro, eles apresentaram este dispositivo”, explicou a professora.

Segurança - Depois de sete dias de muita pesquisa, compra de materiais e construção, o equipamento ficou pronto para uso e os alunos foram além: buscaram um especialista em estofaria para incluir encosto e braços especiais, com o intuito de oferecer mais comodidade aos pacientes. “Hoje em dia, o que se encontra é só a cadeira de PVC e a gente incluiu apoios de cabeça e braços, e um cinto para dar mais firmeza ao paciente, já que na realidade daquele hospital, a maior parte das pessoas atendidas eram idosas”, detalhou Emily Mainardi, uma das acadêmicas integrantes do grupo.

Considerada uma solução barata e criativa, a cadeira foi bem recebida pela equipe do hospital e pelos pacientes que passaram a se sentir mais seguros durante a prática das terapias. “Depois de explicarmos o objetivo do dispositivo, eles se sentiram mais seguros e o receio de se desequilibrar praticamente não houve. A cadeira trouxe até um impulso de melhora para os pacientes e sabemos, o quanto a questão emocional influencia nos aspectos físicos. Então, foi um ganho duplo”, comemorou Emily. O equipamento foi doado à UTI do Hospital Naval de Belém, onde os alunos realizaram o estágio.

Texto: Gisele Nogami com revisão de Laura Quaresma
20 de setembro de 2021