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Alunos da disciplina Projeto Integrado, de Ciência da Computação, visitam a comunidade Usina Vitória


24 de fevereiro de 2022


Estudantes do 5º semestre e professor Marcos Paulo Sousa, na chegada à Casa do Celso. Foto: Caroline Oliveira

Os primeiros raios de sol incidiam na Baía do Guajará, na manhã da última terça-feira (22), quando os primeiros alunos do curso de Ciência da Computação chegaram ao porto no Ver-o-Peso. O dia prometia uma atividade diferente, distante das salas de aula e dos laboratórios de tecnologia, e o destino estava ali, há pouco mais de 20 minutos de viagem de barco, na Ilha das Onças. Apesar de estar mais próxima, demograficamente, de Belém, a ilha faz parte do território do município de Barcarena e tem 820 famílias, de acordo com os dados do censo realizado em 2014, que vivem da pesca, da extração do açaí, da andiroba, da ucuuba e do palmito.

Quando o dia já estava ensolarado, o grupo, formado por 22 alunos do 5º período do curso, professores e empresários parceiros do Cesupa, chegou ao primeiro ponto de visita, na comunidade Usina Vitória: a Casa do Celso. Cercada de plantas e do artesanato produzido pela esposa do proprietário, o espaço recebe turistas que vêm em busca de ecoturismo e são recebidos com café da manhã (ou almoço) produzidos com itens locais e um passeio pela propriedade. Hoje, o sustento da família de Celso vem todo do turismo, mas nem sempre foi assim. 

Os rumos começaram a mudar em 2011, quando a Usina Vitória recebeu um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) que propunha a criação de cisterna para a coleta de água de chuva para o consumo das famílias e a implantação de banheiros ecológicos, em que os dejetos são tratados para serem utilizados como adubo, ao invés de serem lançados no rio. Junto com essas ações, também chegaram iniciativas para a criação de renda, com cursos de artesanato, a criação de abelhas e produção de mel e, consequentemente, o turismo na região. 

Mesmo com tantas mudanças, grande parte da comunidade ainda não conta com saneamento básico, nem fornecimento de energia elétrica. “A visita tem como objetivo conhecer as dificuldades dos moradores da Ilha, levantar o potencial de bionegócios e, posteriormente, propor soluções tecnológicas criativas e sustentáveis, capazes de melhorar a qualidade de vida e a bioeconomia da comunidade Usina Vitória”, explicou o professor Marcos Paulo de Sousa, coordenador das disciplinas Projeto Integrado I, II e III.

Próximo à família de Celso, no Furo Grande, residem dona Socorro e seu Zé Maria que, há um ano, trabalham em uma horta suspensa, de onde são retirados couve, cheiro verde e outras hortaliças. A Unidade Produtiva Horta na Maré surgiu com o apoio da Emater e a produção, ainda em pequena escala, é vendida para a comunidade local. O último destino da programação foi a escola municipal prefeito Laurival Cunha, em que os alunos do Cesupa foram recebidos por um grupo de professores. Na unidade de ensino infantil e fundamental, o principal desafio é garantir o acesso à educação, com os limites impostos pela pandemia e a dificuldade dos estudantes em terem acesso aos computadores e à internet.

Projetos - A partir da visita técnica, os alunos do 5º período e, também, dos 3º e 7º semestres desenvolverão projetos com soluções para a comunidade e, para isso, contarão com a mentoria de parceiros, como é o caso do empresário Marcelo Sá, da empresa de software Jambu Tecnologia e presidente da Associação de Empresas Paraenses de Software (Paratic). “A ideia é que possamos ajudar os alunos no desenvolvimento de soluções que envolvam a tecnologia da informação e que tenham utilidade prática, impacto social na comunidade e que sejam auto sustentáveis operacionalmente. Ao mesmo tempo, em que os alunos têm a oportunidade de viver o cotidiano real do trabalho com a tecnologia e nós temos a possibilidade de reconhecer, entre eles, possíveis talentos”, indicou.

Para o empresário Antônio Cruz, da empresa parceira Paladar Amazônico, a expectativa é que os estudantes apresentem projetos inovadores. “É gratificante ver o engajamento dos alunos de Ciência da Computação em um projeto de impacto social e de bioeconomia, na Amazônia, desafiando-se à inovação e propondo soluções tecnológicas às comunidades de ribeirinhos na Ilha das Onças. Ficamos felizes e na expectativa de projetos inovadores e viáveis para implementação, contribuindo para o desenvolvimento sustentável dessas comunidades”, avaliou.

O resultado dos trabalhos será apresentado na Computação Amostra, que acontecerá em maio deste ano, sob o tema “Amazon Hacking: Construindo tecnologias sociais, criativas e sustentáveis para comunidades ribeirinhas amazônicas”. Os três projetos escolhidos pelos jurados, além da premiação, serão desenvolvidos e implantados na comunidade Usina Vitória. A Amazon Hacking é uma iniciativa do Cesupa, em parceria com as empresas paraenses Paladar Amazônico, byAmazonian e Jambu Tecnologia.

Texto: Gisele Nogami
24 de fevereiro de 2022