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Dicionário produzido por aluno de Medicina reúne termos paraenses para facilitar relação entre médico e paciente


7 de março de 2022


José Wilker Junior, aluno do 10º semestre de Medicina do Cesupa, e sua obra Dicionário Médico de Termos Populares Paraenses. Foto: Divulgação do aluno

Talvez, você já tenha tido "cobreiro", "íngua", ou até apresentou sintomas de "tísica" e recebeu o tratamento médico adequado. Se, no dia a dia de parte das pessoas que vivem na capital, essas palavras podem ser corriqueiras, nos livros de Medicina, as doenças e seus sintomas só são identificados por seus nomes técnicos. A "íngua", por exemplo, é o aumento dos gânglios linfáticos, que se manifesta através de um ou mais pequenos nódulos sob a pele do pescoço; já a "tísica" é uma das formas de chamar a tuberculose.

Foi em meio a um atendimento do Módulo de Interação Saúde e Comunidade (MISC), na Unidade Básica de Saúde do Tenoné, que o estudante de Medicina José Wilker Junior, natural da cidade de Santarém, se deparou com uma paciente que utilizou o termo "cobreiro"  – doença de pele cientificamente chamada de herpes zoster  – e não conseguiu identificar a patologia. "Eu não conhecia o termo e, mesmo após realizar diversas perguntas sobre quadro clínico e medicamentos, não consegui identificar", relembrou.

A dificuldade para entender a paciente marcou a memória de José Wilker e, no final daquele ano, tornou-se objeto da pesquisa "A importância do conhecimento de termos populares paraenses para o desenvolvimento de habilidades profissionais médicas", orientada pela professora e coordenadora do curso de Medicina, Milena Caldato, como parte do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIBICT/Cesupa). 

"A ideia do Dicionário partiu do próprio José Wilker, que percebia muita diferença entre o que o paciente falava, especialmente o ribeirinho, e o que o médico está explicando que, em muitos casos, o paciente não conseguia entender. Ele também percebeu que havia diferença entre os pacientes do interior e da capital. Então, nessa proposta, ele começou a levantar palavras que considerava muito diferentes e, em um questionário, apresentou aos professores, alunos e até pacientes de Belém, com objetivo de verificar quantos acertariam os significados das palavras", explicou a orientadora.

Aproximação - Com os questionários, o acadêmico de Medicina entrevistou mais de 50 profissionais de saúde e agrupou mais de 100 termos populares, entre sintomas de enfermidades, medicamentos, doenças, diagnósticos e até nomes de exames. "Quando apliquei um formulário sobre os termos, para os alunos, e a média de acertos foi menor que cinco, percebi a necessidade de elaboração de um dicionário para ajudar a futura geração de médicos", reforçou. No final de janeiro de 2022, o material coletado foi transformado no Dicionário Médico de Termos Populares Paraenses, publicado pela editora Drago.

Para José Wilker, atualmente no 10 º semestre do curso, a falta desse conhecimento pode prejudicar a relação entre médico e paciente e, consequentemente, influenciar no tratamento e até na sua continuidade. "Em geral, nas consultas, o paciente tem apenas 15 minutos para ser atendido. Mas, se na primeira queixa relatada, ele não é entendido por uma questão de vocabulário, ele começa a omitir seus sintomas, por vergonha de não ser compreendido. O conteúdo do Dicionário, se aprendido por um médico ou acadêmico, pode solucionar a queixa do paciente. Logo, a melhoria da relação e a humanização do atendimento são os dois maiores objetivos dessa obra", completou. Para adquirir a obra, clique aqui.

Texto: Gisele Nogami
07 de março de 2022