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Feira de Tecnologia e Inovação do Cesupa apresenta projetos para atender comunidades ribeirinhas


1 de junho de 2022


Trabalhos dos alunos de Computação oferecem soluções inovadoras e sustentáveis. Foto: Caroline Oliveira

Os cursos de Ciência da Computação e Engenharia da Computação do Cesupa promoveram a XVIII Computação Amostra, evento que possibilita a integração dos cursos e propicia aos alunos a imersão e a prática em um ambiente de promoção da tecnologia, entre os dias 24 a 27 de maio. Esta edição trouxe o tema “Amazon Hacking: Construindo tecnologias sociais, criativas e sustentáveis para comunidades ribeirinhas amazônicas” e contou com uma vasta programação, incluindo palestras, workshops, oficinas, campeonatos de Hackers, luta de robôs e campeonato de corrida entre dispositivos feitos de Lego.

Um dos momentos mais aguardados da Computação Amostra é a Feira de Tecnologia e Inovação, realizados nos dias 26 e 27, em que os estudantes dos dois cursos apresentaram, em formato de pitches, soluções inovadoras e sustentáveis desenvolvidas durante o semestre, para atender às necessidades das famílias ribeirinhas. A concepção dos 30 projetos começou ainda em fevereiro, com a visita dos alunos de Computação à comunidade Usina Vitória, na Ilha das Onças, onde conheceram um pouco das dificuldades relacionadas à conexão com a internet, ao acesso à água potável e os esforços de alunos e professores para darem continuidade ao aprendizado na escola local.

“Se consultarmos o dicionário, veremos que o significado de tecnologia é a melhoria da qualidade de vida da sociedade, a partir de um acesso digital. O tema deste ano, deveria desenvolver a empatia entre os alunos, o sentimento de que eles são capazes de mudar uma realidade local e a qualidade de vida da população, a partir da tecnologia. Ou seja, o estudante de Computação deixa o pensamento de desenvolver um produto apenas pela estética, para buscar a resolução de um problema real, por meio de uma tecnologia acessível e economicamente viável”, pontuou a coordenadora dos dois cursos, professora Alessandra Natasha Baganha.

Sustentável - Nos dois dias de apresentação de pitches, foram divulgados projetos com propósitos como a análise da qualidade da água para piscicultura; irrigação automatizada do solo; monitoramento do solo com auxílio de drone; fonte de gás de cozinha limpa e sustentável; aplicação para auxiliar no ensino remoto de crianças ribeirinhas; entre outros. Um dos trabalhos é o Falken, desenvolvido por alunos do 7º período de Engenharia da Computação, que consiste em um módulo acoplado a um drone, para identificar os locais mais adequados para instalação de antenas para fornecimento de internet.

“O nosso projeto consegue acessar áreas de mata densa ou com limitações físicas do terreno em questão de horas, para fazer o mapeamento, utilizando o drone. Esse trabalho, se fosse feito por um ser humano, poderia levar dias. A ideia veio ao olhar para a Amazônia e analisar que, não apenas aqui, mas em outros locais, percebemos que o problema de baixas de sinal acontece. Então, o Falken pretende trazer, de certa maneira, uma oportunidade de mudança nessas áreas, por meio da implantação de antenas de internet”, explicou um dos autores do projeto, o aluno Gabriel Marcelino.

Construído com canos de PVC, válvulas e garrafa PET, o SICFFA, chamava a atenção de quem passava pela feira. Desenvolvido por alunos do 3º período de Ciência da Computação, o dispositivo é um sistema inteligente de captação, filtragem e armazenamento de água, que promete entregar água limpa para ser usada na irrigação e produção de hortaliças, durante a entressafra do açaí, principal fonte de renda dos moradores da Ilha das Onças. Para produzir o protótipo, os estudantes investiram R$ 700, mas estudam a possibilidade de baratear os custos e implementar o projeto com apenas R$ 350.

“O sistema serve tanto para a água da chuva, quanto para a água coletada do rio, pelo ribeirinho. A água vai passar pelo processo de decantação e pela filtragem, fazendo com que a água saia limpa. Ela entra com a cor amarelada e depois de, aproximadamente 1h30, ela sai transparente. Além disso, nós recebemos uma excelente notícia do laboratório que está analisando nossa água, que a adição de cloro, vai permitir que nossa água seja potável, o que ajudaria ainda mais os ribeirinhos da Ilha das Onças”, contou Vitor Longhi, um dos integrantes da equipe. 

Acompanhamento -  Durante todo o semestre, os 30 projetos foram desenvolvidos dentro da metodologia Jornada, que conta com a primeira etapa de imersão, seguida da definição do problema e, por último, a identificação de propostas para resolução da situação. Para o professor Marcos Paulo de Sousa, coordenador das disciplinas Projeto Integrado I, II e III do curso de Ciência da Computação, que acompanhou o desenvolvimento dos projetos desde o início, os resultados apresentados foram surpreendentes. 

“Em 2019, nós desenvolvemos uma metodologia de ensino-aprendizagem chamada Jornada que tem como objetivo o desenvolvimento de projetos interdisciplinares criativos e sustentáveis com a participação de alunos, professores e mentores de mercado, a fim de atender as demandas de empresas locais. No início de 2022, inovamos ao ampliar o desafio de trabalharmos com as demandas da Amazônia e das comunidades ribeirinhas, e assim os nossos alunos puderam conhecer os problemas e as oportunidades da comunidade Usina Vitória localizada na Ilha das Onças em Barcarena, e desta forma nossos alunos conseguiram superar as expectativas com o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras que irão agregar aos bionegócios da comunidade”, avaliou.

Egresso do curso de Ciência da Computação, formado desde 2020, Renato Aquino esteve na Feira como hunter, buscando entre os alunos, alguém com o perfil ideal para ocupar uma vaga para o desenvolvimento de softwares na empresa em que trabalha atualmente, e ficou impressionado com os resultados. “É interessante porque na minha época, éramos mais infantis. Neste ano, todos os projetos têm um nível muito elevado, com a possibilidade de entrarem no mercado de alguma maneira”, qualificou.

Para as empresas parceiras da Feira, Paladar Amazônico e byAmazonian, os projetos ofereceram possibilidades sustentáveis e que podem ser colocadas em prática nas comunidades ribeirinhas. “Muitos trabalhos surpreenderam positivamente, trazendo soluções interessantes. Também, durante as mentorias, os grupos receberam as sugestões muito bem e as colocaram em prática, pensando na realidade das comunidades que conhecemos um pouco mais de perto, e do potencial de certos projetos terem maior adesão local”, indicou Érika Dantona, sócia da Paladar Amazônico.

Além da escolha dos professores que avaliaram os trabalhos, os projetos estavam aptos para votação popular, por meio do site criado para o evento. Foram selecionados o 1º lugar do curso de Ciência da Computação e o 1º lugar de Engenharia da Computação, que receberam o prêmio Conceição Rangel Fiúza de Melo. Já os três projetos de cada curso, que foram escolhidos pelas empresas parceiras, receberam uma premiação em dinheiro. A Amazon Hacking é uma iniciativa do Cesupa, em parceria com as empresas paraenses Paladar Amazônico, byAmazonian, Jambu Tecnologia, OnDrone, com a Associação das Empresas Paraenses de Softwares e da Tecnologia da Informação e Comunicação (ParaTIC) e com a Organização Não Governamental Instituto Jovem Exportador.

Confira as equipes vencedoras:
Prêmio Conceição Rangel Fiúza de Melo
1° Lugar de Ciência da Computação: EducaOnça 
1° Lugar de Engenharia da Computação: Projeto FALKEN 

Projetos selecionados pelos empresários parceiros
Ciência da Computação
1° Lugar: BioTank 
2° Lugar: SICFAA
3° Lugar: AutoDrops
 
Engenharia da Computação
1° Lugar: Zenith 
2° Lugar: CVGreen 
3° Lugar: Hélix

Texto: Gisele Nogami
01 de junho de 2022